A nova versão de Pinóquio falha onde a animação clássica da Disney acertou.
Aksinya Borisova, Alina Tyazhloya e Andrey Zolotarev assinam o roteiro dessa adaptação que chega ao Brasil em 16 de abril, distribuído pela Paris Filmes.
Essa nova versão de Pinóquio (2026) traz uma fotografia mais interessante e dinâmica do clássico que arrebatou o coração de muitas crianças durante décadas, mas é aí que ele falha.
O filme conta a história sob a narração de três baratas que foram agraciadas com roupas humanas e que se compadecem de um homem viúvo chamado Gepeto e pedem a pessoa que concedeu os desejos que conceda um ao solitário e pobre homem. Depois da negativa, eles roubam a chave que concede os desejos e levam até Gepeto que deseja ter um filho e é assim que o desejo entra em uma madeira que é esculpida por Gepeto no formato de um menino. Mas as coisas não são fáceis para aqueles que são diferentes e logo Gepeto vê que Pinóquio não será tratado como um menino comum e acaba deixando-o com a trupe de teatro. E é na arte que Pinóquio vira um sucesso mundial, até que a saudade do pai aperta e ele tenta voltar para os braços de Gepeto.
Preciso dizer que o fato desse roteiro não parecer em nada com o Pinóquio da Disney afasta o sentimento de familiaridade que temos com a história. O gostinho de infância e a busca de Pinóquio em se tornar um menino de verdade não estão presentes nesse roteiro e o nariz que cresce toda vez que ele conta uma mentira também não.
Esse Pinóquio quer ser amado pelo pai, quer que Gepeto tenha o filho que merece e isso não parece o suficiente para cativar. A moral de Pinóquio do filme clássico que é questionada a todo momento no roteiro da Disney, não aparece aqui. Na verdade todos os personagens parecem passar pelo filtro do politicamente correto. O vilão só é vilão por que sofreu na infância, os abusos são apenas reprodução de uma violência sofrida anteriormente. A dualidade entre o bem e o mal tão latente no clássico é diluída por um "mas" dentro desse roteiro.
O filme é um musical, mas as músicas que tem uma batida tipicamente da polca europeia, com palmas ritmadas e pés que batem sincronicamente, não tem força suficiente para cativar e suprir a falta que os elementos do roteiro deixaram.
Essa é mais uma adaptação que peca ao não apostar nas nostalgia de uma geração que cresceu com os clássicos Disney.



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