Kardec (2019) | Crítica

Que assim seja!

O Brasil é o país mais espírita do mundo. Apesar de não termos fundado a doutrina espírita, tivemos um dos maiores médiuns da história, Chico Xavier. Possivelmente, por isso, temos uma grande quantidades de filme do gênero. E essa semana chega aos cinemas mais um: Kardec
Allan Kardec é, provavelmente, o nome mais forte dentro da doutrina espírita até hoje. Todos os livros organizados por ele ainda funcionam como base para orações, encontros e celebrações. É justamente isso que nós somos apresentados em Kardec.

O filme conta, basicamente, como Kardec se encontrou dentro do Espiritismo e como o mesmo ficou responsável por codificar e trazer ao mundo os segredos do espírito.


Tudo começa na França do século XIX com um suposto fenômeno paranormal em que pessoas afirmam que mesas estão levitando com ajuda de espíritos e que ainda respondem perguntas.

Assim, Hypolite Leon Denizard Riva (HLDR), nome de nascimento de Kardec, após presenciar o fenômeno, resolve provar cientificamente como tudo acontece, juntando pelo primeira vez, ciência e religião, tendo em vista que usou métodos científicos com metodologia delimitada, levantamento de hipóteses, testes, tudo que qualquer ciência exige para comprovar qualquer teoria.


Allan Kardec ou o Espiritismo? Essa é a primeira pergunta que fazemo-nos ao sair do cinema, sem saber ao certo, se o título poderia ter sido trocado ou se realmente chamar atenção para o “criador” e não a “criatura”, foi uma estratégia de marketing do filme.


O fato é que quem busca assistir Kardec, para ver nas telas dos cinemas, mais sobre a vida de Hypolite Leon Denizard Riva, não terá sucesso. A história dirigida por Wagner de Assis, não tem preocupação de mostrar a vida do professor e cientista que codificou a mescla da ciência e da religião, e apresentou ao mundo, o espiritismo. Mas sim, justamente, mostrar todo esforço e abdicação enfrentada por HLDR ao assumir o pseudônimo de Allan Kardec, para tentar encontrar um método científico que explicasse e justificasse, desde um olhar científico, o contato entre os vivos e os mortos.


Assim, ao levar como título Kardec, a obra tem a clara intenção de mostrar, de forma detalhada, as circunstâncias e as consequências=perseguições da postulação de princípios religiosos e científicos que acreditavam na relação entre os espíritos encarnados e desencarnados sob condução de um ser superior, chamado Deus. Para isso, é fiel ao trazer para seu enredo, o fato precursor do espiritismo, o fenômeno famoso das mesas girantes de Paris e também tudo que acontece antes que seja publicado a obra pioneira desta doutrina: o livro dos espíritos.



A narrativa se apresenta de forma linear, sem grandes momentos de clímax, o que pode ser explicado pelo caráter um pouco histórico e documental do filme. Os cenários são simples e o figurino de época não nos deixa dúvida que voltamos no tempo, quase 200 anos atrás. A fotografia não causa alardes. Mas, se engana quem achou, que esse filme possa ser cansativo ou pouco interessante.


Na realidade, durante toda sua exibição, somos convidados por diferentes cenas, a refletir sobre o universo como todo. Há momentos que a vontade que temos é dá uma pausa para pensar de forma mais profunda sobre todas as “impressões” que o filme nos provoca, e por alguns rápidos instantes, ao mais sensíveis, é preciso secar uma lágrima perdida.


É um filme minucioso e rico em detalhes, nos quais um espírita ou entusiasta por essa doutrina, facilmente, perceberá o comprometimento dos seus idealizadores, em produzir uma obra que sirva de fonte segura de boas informações e que retrata, o surgimento do espiritismo.



Mas a grande sacada talvez dessa produção, no contexto que estamos vivenciando atualmente, é de não ocultar da narrativa, elementos como a intolerância religiosa, a desigualdade social e o suicídio, temas tão atuais nos dias de hoje, e fortemente presentes em meados do século XIX. O filme apresenta de forma direta e não romantizada, o surgimento de uma doutrina revolucionou o mundo, que rompeu com igreja católica e trouxe como lema, que fora da caridade não há salvação, e consegue criar momentos dramáticos em sua trama, justamente, por abordar esses assuntos,



A única ressalva é menção honrosa ao final do filme, nos textos finais, que além da publicação do livro dos espíritos, Allan Kardec, também assinou outros 4 livros, ou seja, publicou 5 obras básicas para a doutrina espírita. No entanto, em nenhum momento há menção, de que quais sejam essas obras, o que definitivamente, responde à pergunta inicial: o filme Allan Kardec joga toda ênfase em retratar como Allan Kardec trabalhou e foi perseguido por publicar o livro dos espíritos e desperta o interesse de quem o assiste, de em buscar pelo conteúdo desse livro e suas verdades que chocaram a sociedade daquela época e certamente, continua chocando a sociedade atual.



Outra coisa que merece reconhecimento é a atuação. Com uma salva de palmas para o casal principal, Leonardo Medeiros (Allan Kardec) e Sandra Corveloni (Aéelie-Gabrielle Boudet, esposa de Kardec), e principalmente a Júlia Konrad (Madame Ruth-Celine), que, apesar de pouco tempo de tela, está incrível.



Kardec estréia na próxima quinta-feira, 16 de maio, em todo o Brasil. Que assim seja.

TEXTO ESCRITO EM PARCERIA COM JÉSSIKA BRASIL

2 comentários:

  1. Mesmo que hoje em dia eu esteja totalmente centrada na minha religião, sempre reconheci o trabalho que os espíritas fizeram e fazem por muita gente. Não apenas respeito o que sinto, mas reconhecimento.
    Tenho uma amiga que sempre diz que o espiritismo é a única "religião" que leva o amor de Cristo adiante, pois são tão solidários como nenhuma outra religião é.
    Por isso, não há como falar de espiritismo sem citar Kardec e toda sua obra, não apenas pela parte literária, mas pela vida!
    Com certeza, verei!!!
    Beijo

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  2. Olá! O filme parece ser uma ótima opção para quem já conhece a religião, e também para aqueles, que como eu, não sabem muito a respeito da origem do Espiritismo, gostei da dica.

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