Precisamos Falar Sobre: Kardec (2019)


No tempo em que vivemos, religiões e doutrinas que não seguem o padrão cristão estão sempre do lado oposto da igreja, se tornando uma verdadeira inquisição, principalmente, quando falsos moralistas vêm em defesa da "moral e dos bons costumes" O Brasil tem uma das maiores comunidades católicas e evangélicas do mundo. Em meio a tanta intolerância religiosa, também possui a maior comunidade espírita do mundo. Com isso, o que podemos aprender com Kardec e todos os outros filmes espírita que vieram anteriormente?

Kardec estréia essa semana em todo o Brasil contando como o codificador do espiritismo trouxe a luz toda a sua teoria. Tudo isso em meio a uma França do século XIX que ainda é excessivamente controlada pela Igreja Católica. 


Quando Hypolite Leon, nome de nascimento de Allan Kardec, teve seu primeiro contato com a doutrina se surpreendeu pelo que via e ouvia. Só que, como um professor recém demitido por não aceitar o controle da Igreja em suas aulas, se vê encurralado entre o seus conhecimentos científicos, inclusive fazendo parte da Sociedade de Ciências Francesa, e fenômeno considerados paranormais.

Em uma das sessões espíritas que participa, Hypolite recebe a missão de organizar e codificar a doutrina espírita. Para isso, cria uma metodologia científica com duas intenções, primeiramente provar a existência do espiritismo e segundo trazer a luz os conceitos que os espíritos lhe passavam. Assim surge O Livro dos Espíritos.


Para escrever O Livro dos Espíritos, Allan Kardec (já assina assim nesse primeiro livro) contactou várias médiuns de diversos lugares da Europa, sempre fazendo as mesmas perguntas: O que é Deus? O que é o amor? O que é a caridade?

Todas elas responderam as perguntas da mesma forma, levando a crer no que escrevia. Mas aquilo gerou confusões. Logo a Igreja foi contra o livro, chegando a queimar milhares de exemplares. E como sempre acontece quando algo vai contra ela, foi mais uma vez demonizado.

Em dois momentos do filme mostra quando duas crianças médiuns são encurraladas dentro da escola por outras crianças e são chamas de bruxas e aberrações. A casa dessas mesmas crianças chega a ser apedrejada. Kardec para acalentar uma das crianças diz: "Haverá um dia em que todas as religiões viveram em harmonia e paz". E a criança responde: "Mas não será hoje".


Isso é bem implemático se paramos pra pensar que Kardec já tinha esse pensamento no século XIX e até hoje esperamos essa harmonia e paz entre as religiões. Pode ser que você, querida/o leitora/a pense que esse momento foi criado para o filme, mas se paramos para ler O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo percebemos que há passagens sobre isso.

Como espírita, já li esses livros, principalmente o evangelho, pois faz parte da rotina de minha família. Em algumas passagens os espíritos nos dizem que não importa sua religião, não importa seu credo, se você vive do amor e da caridade estará salvo, mas isso não apaga os seus pecados.

Nessa mesma passagens, os espíritos alertam sobre falsos profetas da fé, que enganam o povo, principalmente por dinheiro, prometendo a vida eterna no céu e a salvação dos pecados. Isso parece tão atual e foi escrito dois séculos atrás.

Na primeira aula de uma curso de Mitologia Grega que faço, a professora nos indagou com a seguinte pergunta: "Qual a necessidade que o ser humano tem de negar a religião do outro para aceitar a sua?" (Obrigado pelos ensinamentos, Dani) Fiquei horas me indagando sobre aquilo e infelizmente não cheguei a nenhuma conclusão.

Fui batizado como católico, mesmo nascendo em um lar espírita, fui evangélico por quase 5 anos, mas ser católico seguindo a doutrina espírita foi o que mais me trouxe paz, pois consigo compreender muito melhor o ser humano como ele é, tento observar o melhor do ser humano em todos os aspectos, e evito jugar sem conhecer, pois somente você conhece a própria vida e pelo que passou.


Convido você a ir aos cinemas assistir Kardec, um filme inspirador que dá vontade de anotar cada frase e colocar em um caderninho e depois postar. O filme já está em cartaz.

E também se questione: Qual a necessidade que o ser humano tem de negar a religião do outro para aceitar a sua?

2 comentários:

  1. Não há religião que ensine a negar a do irmão para que a sua tenha validade. Fato!
    Mas infelizmente a gente sabe que não é bem assim né?
    Vivemos num país misto, de pessoas que acreditam e que desacreditam.
    E se criou algo em volta do espiritismo que sinceramente não sei de onde saiu, de que é espírita? Faz macumba(como se macumba fosse algo ruim, a quem acredita) mas sei lá.
    Penso na religião como o amor pregado por Jesus e tenho uma amiga que mesmo sem ser espírita,sempre diz que a única religião que leva o mandamento da solidariedade adiante é a Espírita. Se doam completamente aos irmãos, sem questionar nunca raça, conta bancária, credo.
    Sou católica praticante e mesmo vindo de uma família meio cabeça fechada, aprendi que nesta vida se não tivermos respeito aos demais, não temos nada!
    Já li inúmeros livros espíritas, já estudei alguma coisa e oh, não vejo a hora de poder conferir este filme!
    Pois Kardec não só ensinou o que pregava e escrevia, mas também, deixou isso de pequenas gotas de esperança!
    É preciso de uma vez por todas entendermos que só o amor e o respeito é de Deus!
    O resto? Vale nada não!!!!
    Show de post!
    Beijo

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  2. Olá! Acredito, muito, que toda e qualquer religião tem sua importância, e por isso deve ser respeitada, não conheço muito sobre o Espiritismo, mas se ela é responsável por dar sentido e conforto para quem recorre a ela, porque julgar. Muito triste perceber, que ainda hoje, há tanta intolerância em relação às escolhas das pessoas na busca de suas crenças.

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