A Intérprete - Annette Hess


Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Classificação: 
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Sinopse: Tendo como pano de fundo os julgamentos de Auschwitz, este sucesso internacional de Annette Hess conta uma história arrebatadora sobre uma jovem disposta a enfrentar a família e a sociedade para expor as verdades mais sombrias de sua nação.Para Eva Bruhns, a Segunda Guerra Mundial é apenas uma memória nebulosa da infância. Ao fim dos conflitos, Frankfurt estava arruinada, vítima dos bombardeios dos Aliados.Agora, em 1963, a cidade está totalmente reconstruída e Eva espera, ansiosa, pelo pedido de casamento do namorado rico, sonhando com uma vida longe dos pais e da irmã.Porém, seus planos são alterados quando o impetuoso advogado David Miller a convoca para atuar como intérprete nos julgamentos do campo de concentração de Auschwitz.À medida que se envolve com as testemunhas polonesas, Eva começa a questionar seu futuro e o silêncio da família sobre a guerra. Por que os pais se recusam a falar sobre o que aconteceu? Ela ama mesmo o namorado e será feliz como uma dona de casa?Determinada a fazer justiça, Eva se une a um time de promotores empenhado em condenar os nazistas – uma decisão que mudará o presente e o passado de seu país.


Confesso que me interessei por esse livro por causa de um documentário que assisti na Netflix recentemente chamado O Contador de Auschwitz, inclusive recomendo é um documentário bem interessante sobre como os alemães lidaram e lidam com as consequências do nazismo em seu país. Enfim, então quando eu li a sinopse desse livro, coisa que não faço com frequência, logo identifiquei a similaridade nas narrativas e eu não poderia estar mais feliz de o ter feito.

Eva Bruhns é uma jovem que está prestes a se casar com um homem com condições financeiras melhores que a de sua família. Ela trabalha como intérprete e tradutora para uma pequena empresa e ajuda os pais em seu restaurante de comida alemã. Quando ela é convocada pelo advogado David Miller para ajudar no julgamento de nazistas que conseguiram escapar, as memórias do que aconteceu com a família durante a guerra começam a retornar, enquanto ela tem de lidar com o machismo do noivo e o comportamento estranho da família acerca da época da guerra.

Primeiro de tudo precisamos comentar sobre alguns pontos na história que me deixaram admirada: a família de Eva parece comum, são os chamados cidadãos de bem, criaram três filhos, são conhecidos por serem trabalhadores e generosos no bairro. Suas filhas, uma delas é intérprete e a outra uma enfermeira pediátrica. Ou seja, são aqueles típicos religiosos que se intitulam portadores da moral e dos bons costumes. E Eva acaba por ter de lidar com o fato que o namorado vem de uma família bem diferente, seu pai foi preso durante a guerra por ser socialista. Paramos aqui para esclarecer que o nazismo NÃO foi um movimento de esquerda, mas de extrema direita e que perseguiu não só judeus, mas homossexuais, ciganos e socialistas durante a guerra. Enfim, ela já lidava com o fato do namorado ter uma família disfuncional e ser altamente machista, com pensamentos sobre como ela deveria ser submissa a ele, coisa que Eva demonstra desde o começo que não será.

Com o passar dos capítulos, nós nos deparamos com depoimentos esclarecedores e como os nazistas realmente não achavam que fizeram nada demais, segundo alguns deles foram obrigados por superiores a serem cruéis, enquanto outros negavam até a morte que tivessem tomado parte nos atos monstruosos que aconteceram em Auschwitz. 

É engraçado pensar que atualmente vivemos em um país com convicções e posturas bem próximas as desses alemães, o fundamentalismo religioso, a crueldade as minorias e a truculência parecem tomar conta cada vez mais dos brasileiros, que realmente acredita, assim como esses alemães,na ideologia do governo atual.

E a verdade quando revelada a Eva a deixa além de encabulada, a deixa enojada e revoltada e principalmente com vontade de se distanciar de todos aqueles que compactuaram com isso. Anos depois ela lembra que a história contada no tribunal também foi a história da vida dela, que apesar de ser apenas uma criança na época também teve sua parcela de culpa e o perdão não pode ser alcançado.

A Intérprete é um tapa na cara daqueles que pensam que a história não os cobrará pelas atrocidades que cometem, seja em nome de um governo, seja em nome de um deus. A conta chega e ela não é barata.

Essa capa não faz jus ao conteúdo do livro, mas entendo que se fosse diferente talvez no contexto em que vivemos o livro poderia até ser censurado. A diagramação está ótima. Enfim, recomendo essa leitura como um livro para a reflexão, de que lado da história você estará?

5 comentários:

  1. Tudo que traga um pouco sobre os horrores que a Segunda Guerra causou e deixou marcado na história do mundo, me agrada. Não, não pelo lado de gostar, mas pelo lado de gostar de saber, de sentir essa indignação que sim, infelizmente, povoa até hoje nossos corações.
    É impossível ler ou ver alguma obra que retrate uma pontinha desta época turva do nosso passado e não nos emocionemos.
    Ainda não tinha lido nada sobre este livro, mas claro que já vai para a lista dos mais desejados!!!!
    Beijo

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  2. Olá! Essa, certamente, é uma leitura muito necessária para todos, principalmente com todo esse cenário de retrocesso que estamos enfrentando, imagine que você está em meio a tanta podridão, e ir descobrindo aos poucos que de fato todas aquelas ações foram erradas, Eva com certeza deve ser uma personagem muito forte para ter que lidar com tudo isso, e eu fico pensando como as pessoas que praticaram tais ações não conseguem compreender que seus atos foram errados...

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  3. Priscila do céu, estava deixando esse livro passar sem nem saber do que se trata.
    Quando vi a capa, não fiquei interessada e nem li sinopse, mas agora quando li Auschwitz, ah... essa palavra que causou tanta dor foi o suficiente pra me fazer parar.
    Me surpreendi com a premissa do livro, com os questionamentos que ele traz e agora tenho certeza que vou querer ler.

    Beijos

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  4. Priscila!
    Primeiro vou concordar com você que o que acontece em nosso Brasil hoje, é um absurdo tão improvável que faz até medo pensar no que poderá vir ainda. E o pior é que a criatura ainda tem tantas pessoas retrógradas que pensam do mesmo jeito que dá até nojo.
    Dito isso, vou falar sobre o livro. Gosto de livros que retratam o Nazismo e fico estarrecida a cada nova leitura, aqui parece que ainda tem toda uma tragédia familiar por trás que nos deixa curiosos para fazer a leitura.
    cheirinhos
    Rudy

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  5. Oiii ❤ Quando olhei essa capa nunca pensei que se tratava sobre as marcas deixadas pelo nazismo. Mas agora que sei sobre o que é, quero ler, já que apesar de ser um assunto desconfortável, gosto de ler sobre.
    Gostei que Eva irá ajudar a condenar nazistas e que ela começará a refletir mais como o Nazismo foi terrível.
    Que bom que Eva não se rende ao machismo do noivo, que não se deixará ser controlada por ele.
    É inacreditável que nazistas pensem que o Nazismo não foi algo ruim! É triste que ainda vemos em nossa sociedade atos que se comparam ao Nazismo e que muitas pessoas fechem os olhos pra isso.
    Beijos ❤

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